quarta-feira, 22 de junho de 2011

Observe

Vez ou outra, com certeza, você assiste a algum programa televisivo de perguntas e respostas. Desses, em que as pessoas concorrem a prêmios se acertarem uma série de questões.

E é quase certo que você, sentado em sua poltrona, em sua casa, igualmente tente responder.

É provável que você acerte várias questões e até fique a cogitar que, se fosse você, no palco, naquele momento, ganharia com facilidade os valores ofertados.

É possível também que algumas das perguntas você não tenha ideia alguma do que se trata.

Por isso mesmo, é que neste dia desejamos reflexionar juntos, propondo-lhe tentar responder algumas questões.

Primeira: Você saberia dizer o nome das cinco pessoas mais ricas do mundo?

Segunda: E o nome dos cinco últimos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz?

Terceira: Quem sabe poderia lembrar do nome das cinco últimas Miss Universo?

Quarta: Talvez poderia lembrar o nome de dez ganhadores de Medalha de Ouro nas Olimpíadas?

Quinta: Seria possível, então, recordar quem foram os últimos doze atores ganhadores do ambicionado prêmio da Academia de Cinema, o Oscar?

Das cinco questões, você conseguiu responder alguma no todo ou em parte?

Difícil, não? E são pessoas famosas, que aparecem nos jornais, nas revistas, na televisão.

Não são pessoas anônimas, desconhecidas.

Contudo, é assim: o aplauso morre, os prêmios envelhecem, grandes acontecimentos são esquecidos.

Mas, não desanime. Vamos tentar um outro teste.

Primeira pergunta: Você lembra o nome dos professores que você mais gostava?

Segunda: É capaz de dizer o nome de três amigos que ajudaram você em momentos difíceis?

Terceira: E seria possível você relacionar o nome de cinco pessoas que lhe ensinaram alguma coisa valiosa, em sua vida?

Quarta: E quantas pessoas fizeram você se sentir amado e especial?

E, por último, relacione cinco pessoas com quem você gosta de estar.

Você achou este teste mais fácil, não é mesmo? Sabe por quê?

Porque as pessoas que fazem a diferença em nossas vidas não são as que têm mais credenciais, ganham muito dinheiro ou prêmios.

São aquelas que se importam conosco. Com nosso progresso, com nosso bem-estar, com nossa qualidade de vida.

São as pessoas que nos têm afeto, que nos amam. Pessoas que amam a sua profissão e não somente realizam um dever, exercendo-a.

Assim foram muitos dos nossos professores.

Pessoas que sabem que é bom partilhar, dividir experiências, ensinar a outros.

Como nossos avós, pais, tios, vizinhos, pessoas que sabiam alguma coisa boa, importante e se preocuparam em nos ensinar.

Ensinar a cuidar de uma casa, a plantar uma rosa, regar um jardim.

Talvez lavar um carro, empinar um papagaio, preparar uma deliciosa sopa, bordar, escrever, escrever um poema ou redigir uma carta.

Criaturas que nos ensinaram dedilhar o piano, tocar o violão, cantar uma canção. Mesmo que seja uma canção de ninar para adormecer um bebê.

Pessoas que sabem conversar, edificando; descontrair sem exageros; manter amizades através dos anos.

Pessoas, enfim, que fazem a diferença na sua vida. Na vida de cada um de nós.

Pessoas especiais.

* * *

Registrando pessoas especiais em sua vida, recorde-se de se tornar, igualmente, para muitas outras vidas, alguém muito especial.

Especial na manifestação da amizade, do estímulo, da alegria de viver.

Alguém que mesmo depois de partir, permaneça como suave presença, um delicado perfume de saudade.


autoria desconhecida
eca

domingo, 12 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto. Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais “O cravo brigou com a rosa”. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".

Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que “O cravo brigou com a rosa” faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro? É Villa Lobos, cacete!

Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/Tá com a cabeça quebrada/Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê.

A tia do maternal agora ensina assim: “Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar”. Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, melodia de Heitor Villa Lobos e letra da Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.

Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichanos. A Sociedade Protetora dos Animais cairia em cima com processos.

Quem entra na roda dança, nos dias atuais. Não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil, estimula o sexo sem amor, a vulgaridade.

Ninguém mais canta: “Pai Francisco entrou na roda, tocando seu violão, vem de lá Seu Delegado, e pai Francisco foi pra prisão”. O pobre do Pai Francisco foi preso apenas por vadiagem, mas atualmente ficaria sob a suspeita de ser traficante.

Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não lembrar à garotada a desigualdade de renda entre os homens. Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado.

Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse que algum filho estava militando na causa da preservação do mico-leão-dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.

Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado? Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice. O politicamente correto é a sepultura do humor, da criatividade, da divertida sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.

Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão-de-chácara de baile infantil - de deficiente vertical. O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação. A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, “Orca, a baleia assassina” e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de morto-de-fome, pau-de-virar-tripa e Olívia Palito. O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá. O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol. Ao invés de mandar o juiz pra puta-que-o-pariu e o centroavante pereba tomar no olho-do-cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de “Jesus, Alegria dos Homens”, do velho Bach.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé-na-cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro-funeral, o popular tá-mais-pra-lá-do-que-pra-cá,  já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".

Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do Pé-Junto.
 
Luiz Antônio Simas
(Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História do ensino médio)
eca

quarta-feira, 1 de junho de 2011

VAMOS DAR AS MÃOS, 1...2...3...





Vamos dar as mãos 1...2...3... Quem dos policiais militares incluídos na Policia Militar em Poços de Caldas no ano de 1996 não ouviu esse trocadilho dos “mais antigos”? [1]
Pois bem amigos, completamos 15 anos de efetivo serviço dedicados à Polícia Militar de Minas Gerais. Muito se passou durante essa jornada, que, diga-se de passagem, não foi fácil, mas com as graças de Deus seguimos em frente.
Alguns por algum motivo não estão entre nós exercendo a profissão, mas certamente não serão esquecidos. Outros constituíram família, outros constituirão, outros possuem outras prioridades, estão se especializando em cursos, graduando, sendo promovidos e outros devido a impedimentos judiciais e administrativos (nosso estatuto não admite a Constitucional presunção de inocência) ainda não foram promovidos, mas enfim, o importante é que aqui estamos (por cima da terra), vivos e com saúde (e para os que não estão com saúde plena, cuide-se, ame-se acima de tudo).
Tenho ótimas recordações do nosso inesquecível Curso de Formação de Soldados da Policia Militar de Minas Gerais, iniciado no dia 1º de junho de 1996, na cidade de Poços de Caldas/MG. Os ilustres monitores de curso  então 1º Sgt Oliveira e 1º Sgt Abelardo, [2] figuras históricas que muito nos ensinou com suas doutrinas e experiências vividas nas cidades de Bandeira do Sul e Passa Quatro. Os chefes de curso, Ten. Beethoven e Ten. Wenceslau, [2] excelentes oficiais, cada qual com seu dinamismo, se encaixaram como “luvas” no curso. O comandante da companhia escola Cap. Diovany sempre puxando a orelha dos “bodinhos”. [3] Sempre que um dos mencionados superiores hierárquicos agia com a emoção o outro aplicava a razão e vice-versa. Todos tinham uma sensatez acurada, pareciam combinar as ações. No final dava tudo certo, saía conforme planejado por eles logrando os objetivos de nos repassar o aprendizado. Sempre se esforçaram em prol de nosso aperfeiçoamento pessoal e profissional, preocupavam-se com nossa estabilidade. Não pensem que apesar da dedicação e conhecimentos de nossos Comandantes, éramos protegidos pelos erros que cometíamos, longe disso, quando tinham que punir, não hesitavam, contudo sabíamos que era para nosso aperfeiçoamento para nosso bem. E os professores civis e militares? Muito bem qualificados e dedicados, agradeço a todos pelos ensinamentos.
Hoje vejo que esses ensinamentos nos deu suporte para seguir o livre arbítrio e saber distinguir o bom e o ruim, o bem e o mal e aos que trilharam nas tentações e nos desvios de conduta, o próprio regulamento disciplinar assegurou a integridade e transparência dos ensinamentos dos mestres militares e civis
Éramos simples, mas dignos da profissão, nossas escalas eram confeccionadas às vezes a maquina de datilografar (nem sei se ainda existe) às vezes à caneta. Isso mesmo, tinta de caneta! Não importava como eram confeccionadas as escalas, o que nos interessava era nosso nome na escala de serviço, vestir a farda e sair às ruas, estagiando e patrulhando os bairros da maravilhosa cidade de Poços de Caldas. Retornávamos do estágio contando aos demais sobre nossas abordagens, prisões, debatíamos nossas “bodinhagens”. [4] E quando essas “bodinhagens” chegavam ao conhecimento de nossos comandantes, a detenção era certa. Não raras vezes os alunos ficavam detidos para análise do vacilo de uma abordagem ou um excesso cometido. Eram nas detenções que refletíamos nossas ações e omissões. Aluno as vezes excede por vibrar demais.
E os “rancas”? [5] Serviam para unir o grupo, incutir o “espírito de corpo”, ninguém chegava na frente, ou chegavam todos juntos ou não chegava ninguém, existia o companheirismo.
Aos poucos nosso caráter militar ia sendo moldado. Tínhamos entusiasmo e vibrávamos por sermos policiais militares (àquela época ganhávamos pouco mais de R$ 200,00 duzentos reais, meu pai completava meus vencimentos). [5] Ninguém tinha interesse em ser policial militar, muitos preferiam trabalhar como motorista, pois essa classe era bem mais remunerada que a classe de policiais militares. Quem era incluído na Polícia Militar, permanecia porque gostava, porque “estava no sangue”.
Apesar das pregações do espírito de corpo (não confundir com corporativismo), às vezes surgiam desavenças, mas por incrível que pareça os ânimos eram serenados. Ocorriam as intrigas, mas estas não perseveravam, a paz era retomada e todos continuavam amigos.
Os horários de “lazer” rendiam histórias nos alojamentos, e o alojamento 312 era o mais famoso pelas “bodinhagens” e principalmente pelo companheirismo, passávamos longe da viatura do CPU quando “caíamos” na noite poços caldense nas poucas folgas que tínhamos. Para falar a verdade, quando éramos alunos, procurávamos ocorrências em vez de diversão ou as ocorrências nos procuravam em vez da diversão.
Passado o final de semana, o comandante da companhia escola no início das instruções, era sempre o primeiro a falar, e “cuspir marimbondos” nas manhãs de segunda-feira sobre as “alterações” do final de semana e dizia que havia suspeitas de que tinha “dedo de aluno” nos acontecimentos.
Cada um dos alunos tinha sua particularidade, e acabava por receber uma alcunha, as quais não tinham cunho pejorativo e sim uma identificação de seu detentor. Com a permissão de todos e preservando suas identidades, citarei algumas (só de começar a imaginar relembro as cenas cômicas):
Agendinha(anotava tudo em uma bendita agenda, Sgt Abelardo temia essa agenda); Chulé (ate hoje não vi pé mais fedorento); Cat (ninguém viu esse camarada tomar banho); Down; Moita; Saci; Formigão (consegue falar mais de 9 mil palavras em menos de um minuto); Verme; Bicho de goiaba, Durock; Manitu (deus da chuva); Rei do gado; Brepbrep; Xaxim; Bisqui; Buiú; Menor; Quermacho; Piu-piu; Bala onda; Turco; Demônio da tasmânia; Diet; Gavião; Terrorista/Hi Hitler; Baturé; Índio Canibal; Cara inchada, Pigmeu; e os lendários: Patropi; Batatinha (protagonista da música “dormi na praça” interpretada por Bruno e Marrone); Jegueira;  Tio Chico; Cara de gato e Jaca paladium (quem não se recorda das historias do porco de conselheiro pena que pedia cachaça ao dono e dizia “estar rachando”? [acredite se puder, um porco que falava]) e outras pérolas, porém peço perdão por não lembrar-me de todas, afinal, 15 anos se passaram e minha memória não é mais a mesma.
Amigos, escrevi este texto para dizer-lhes o quanto são importantes por fazer parte de minha vida, e muitos ainda fazem, quer seja pessoalmente quer seja pela aproximação que a rede virtual nos proporcionou, mesmo estando longe fisicamente devido a distância.
Enfim formamos e estamos formados! Daqui mais 15 anos com as bênçãos de Deus estaremos reformados! Fomos moldados com a maravilhosa hierarquia e disciplina (base de nossa instituição), os que seguiram os ensinamentos de nossos mestres hoje aqui estão completando 15 anos nesta corporação de onde nos orgulhamos e usufruímos nossa subsistência. Durante esses 15 anos encontramos decepções, perseguições, tristeza, mas sempre tivemos as graças da Divindade Suprema que sempre agiu em nosso favor, nos amparando e mostrando uma forma de contornar tais situações, soerguendo positivamente através de nossa virtude, dedicação, conquista, motivação, labor e tendo a satisfação em dividir nossas alegrias e conquistas com nossos familiares e amigos.
Orgulhamo-nos em pertencer à família policial militar, estamos no meio do caminho e se no meio do caminho surgir uma pedra, não desanime e não se dê por vencido. Você é o responsável do que fazer com a pedra: uma muralha ou um castelo!
Vamos dar as mãos 1...2...3..., e que não erremos os passos e não percamos a vez, mas se cambalearmos nos passos, sabemos que os amigos, companheiros, mestres e Deus, (a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas) dar-nos-ão o suporte necessário.
 Não pergunte se somos capazes... Dê-nos a missão!!!

*Eliomar Correia de Araújo, Sargento da Polícia Militar de Minas Gerais e orgulhoso em ser um dos 123.000

Glossário:
[1] mais antigos: denominação no meio militar para referir-se aos policiais militares que já estão a mais tempo na corporação, militar com estabilidade profissional, efetivado.
[2] permitam-me referir ainda aos postos e graduações da época de curso (1996), no intuito de materializá-los no texto.
[3] Bodinho: termo usado no meio militar que define o recruta errante ou inocência profissional.
[4] Bodinhagem: vide bodinho
[5] Ranca: termo militar que define os treinamentos físicos de sobrevivência
[6] Vencimento: "salário" do militar


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