segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Relacionamento


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: há os casamentos do tipo Tênis e há os casamentos do tipo Frescobol.
Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam mal. Os casamentos do tipo Frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me.

Para começar, uma afirmação de Nietzche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta:
"Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?"
Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Sherezade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos
Sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, Sherezade o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da
eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. 

E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes. Fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo:
"Eu te amo". Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, eu te amo não quer dizer mais nada". É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia 
Prado: "Erótica é a alma". 
Tênis é um jogo feroz. O objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: O outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada. Palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

Frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra. O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá.... 
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão.. O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. 

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres ao vento. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha, para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para
que o jogo nunca tenha fim..
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Rubem Alves
eca

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A história do lápis

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
“Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade”.
“Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas lhe farão ser uma pessoa melhor”.
“Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça”.
“Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você”.
“Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação”.

Paulo Coelho
eca

Como se forma um paradigma?

“ Um grupo de cientistas colocou cinco macacos em uma gaiola e, no meio desta, uma escada com bananas em cima. Toda vez que um dos macacos começava na subir a escada, um dispositivo automático fazia jorrar água gelada sobre os demais macacos.
Passado certo tempo, toda vez que qualquer dos macacos esboçava um início de subida na escada, os demais o espancavam (evitando assim a água gelada).  Obviamente, após certo tempo, nenhum dos macacos se arriscava a subir a escada, apesar da tentação.
Os cientistas decidiram então substituir um dos macacos. A primeira coisa que o macaco novo fez foi tentar subir na escada. Imediatamente os demais começaram a espancá-lo. Após várias surras o novo membro dessa comunidade aprendeu a não subir na escada, embora jamais soubesse por que.
Um segundo macaco foi substituído e ocorreu com ele o mesmo que com o primeiro. O primeiro macaco que havia sido substituído participou, juntamente com os demais, do espancamento.
Um terceiro macaco foi trocado e o mesmo (espancamento, etc) foi repetido. Um quarto e o quinto macaco foram trocados, um de cada vez, com intervalos adequados, repetindo-se os espancamentos dos novatos quando de suas tentativas para subir na escada.
O que sobrou foi um grupo de cinco macacos que, embora nunca tenham recebido um chuveiro frio, continuavam a espancar todo macaco que tentasse subir na escada.
Se fosse possível conversar com os macacos e perguntar-lhes por que espancavam os que tentavam subir na escada … Aposto que a resposta seria:
“Eu não sei. Essa é a forma como as coisas são feitas por aqui.”
Isso, ou esse comportamento, essa resposta, não te parecem familiar?”
 +++

Desconheço a autoria deste texto, mas ele cita perfeitamente  nossa vida pessoal e profissional convivendo com paradigmas, resistência a mudanças culturais.
A falta de questionamento de determinada cultura seja ela pessoal ou profissional forma uma resistência as mudanças tanto do escalão superior de uma empresa quanto dos subordinados desta.











paradigma
[Do gr. parádeigma, pelo lat. tard. paradigma.]
Substantivo masculino.
1.Modelo, padrão, estalão:
“D. Luís de Meneses .... parece constituir o paradigma da síntese ideal .... entre a coragem militar e o academismo cultural.” (Antônio José Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, pp. 455-456).
2.Termo com o qual Thomas Kuhn (v. kuhniano) designou as realizações científicas (p. ex., a dinâmica de Newton ou a química de Lavoisier) que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explícito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por elas suscitados.
3.E. Ling. Conjunto de formas flexionais de uma palavra.
4.E. Ling. Modelo para a flexão de uma dada classe de elementos: o verbo amar serve de paradigma à primeira conjugação. [V. conjugação e declinação.]
5.E. Ling. Conjunto de elementos lingüísticos que podem ocorrer nos mesmos ambientes. [Cf. sintagma.]

Paradigma defectivo. 1. E. Ling. Paradigma (3) a que faltam formas, como ocorre com os verbos defectivos portugueses.

 Dicionário Aurélio

 

 

eca



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sobre o Blog

Freqüentemente sou questionado por amigos  e leitores sobre as postagens de meu blog. Questionam o porquê de postar mensagens de outros autores ou sem autoria. O fato é que possuo alguns textos “engavetados” e por enquanto acho viável não postá-los,  pois certamente despertaria a inveja, a vaidade e o orgulho de muitos. Vocês não têm noção de como esses três substantivos perseguem alguns blogueiros.
A situação complica ainda mais quando a incompetência vem camuflada por precedência e hierarquia. Já disse: o fato de alguém ter precedência sobre outrem, não significa que seja competente. Principalmente da vida profissional sendo pública ou privada.
Esse blog, como os demais é “monitorado” muito mais do que “bocas de fumo” e outros criminosos que realmente deveriam ser monitorados.Sempre vejo amigos blogueiros serem alvos de perseguição, mesmo de forma “velada”, por exporem sua liberdade de expressão. Burlam o sistema e procuram intimidar os blogueiros que levam ate os leitores a realidade das informações, sem máscaras. Tal intimidação vem seguida de ameaças de transferências (quando se trata de funcionário público e em acionamentos junto a justiça que a priori não  está dando conta do seu serviço básico, o que dirá então fazer o judiciário parar para dar “atenção” a picuinhas de quem não consegue encarar a verdade e a realidade? A pressão maior dar-se-a contra os blogueiros militares que desde sua inserção na caserna é intimidado a não ponderar, e seu único direito é ouvir e sentir calado as arbitrariedades impostas.
O pós 1997 veio incluir em nosso dicionário militar a palavra democracia e em 2002 os postulados constitucionais da ampla defesa e contraditório também foram condensados. Os militares  meus amigos ainda estão longe de terem sua liberdade de expressão prevista na Carta Magna. O que escrevemos e falamos, depende da interpretação que muitas vezes é tida como afronta à “arrogância” de quem a vê e não da instituição, que não raras vezes utilizam sua “competência” para imprensá-lo, mastigá-lo, trucidá-lo com os tão conhecidos poderes da frase: “tendo chegado ao meu conhecimento”, gerando um processo administrativo e criminal eivado de ira, revolta, inveja e interesse pessoal nas costas do militar que desde aquele momento já se encontra condenado pois  a vontade de punir fala mais alto que a vontade de se fazer justiça.
A lei da mordaça nos atinge, nos colocam rédeas. Somos limitados, não por falta de intelecto, mas porque os senhores donos dos feudos nos limitam.. Trabalhamos em prol do ego dos senhores de engenho, patrões dos canaviais e dos cafezais de nossa república “democrática”.
Ainda bem que temos alguns “rebeldes” do nosso lado: Barbosa’s(www.politicacidadaniaedignidade.blogspot.com),Júlio’s(www.blogdocabojulio.blogspot.com),Rodrigues(www.sargentorodrigues.com.br)Gonzaga’s(www.aspra.org.br/)Cláudio’s(www.caboclaudiodias.blogspot.com)Assunção(www.capitaoassumcao.com)Mendonça’s(www.ascobom.org.br),Renata’s(www.renataaspra.blogspot.com)Fernando’s(cabofernandodareserva.blogspot.com) e muitos outros que “gritam” e se expõem em prol de uma classe que os reconhecerão pela eternidade.
Ah! Nobres amigos! Oxalá pudesse postar todos os  textos na íntegra, sem  ocultar a autoria dos textos e das postagens...

Autoria desconhecida
eca

Janie, Don't Take Your Love To Town Bon Jovi

 

Janie, Don't Take Your Love To Town Bon Jovi
Sitting here just watching you sleep
Wish I could slip inside and be
In some technicolor dream
But the air's too thick for one of us to breathe
I'm not fool enough to think
You couldn't live life without me

I didn't come this far to throw the towel in
I didn't fight this hard to walk away
If I ain't smart enough to say I'm sorry
It's just because the words got in the way

I remember how it used to be
I was you and you were me
We were more than just the same
Now these shoes don't fit, my skin's too tight
When you want a kiss, I take a bite
Let your heart call up the cops, read me my rights

Last night I drank enough to drown
Raise a toast to your good looks and to my health
Look, we both know how much i've let you down
Janie don't you take your love to town

Janie don't you take your love to town
Janie don't you take your love to town
If i've got to beg, i'll beg, just don't walk away
Janie don't you take your love to town

You deserve a shooter, a saint
Someone to give it to you straight
To find the soul throught flesh and bone
My life's a treasure, full of sunny weather
But it's left me feeling cold
Now all you want to do is take me home

I hated you, the night you said you loved me
I hated you, 'cause I couldn't love myself
I'm begging you now, baby please just hold me
I got one foot in, one foot off the ground

Janie don't you take your love to town
Janie don't you take your love to town
If i've got to beg, i'll beg, just don't walk away
Janie don't you take your love to town

Sitting here while you're fast asleep
In the bathroom by the sink
Trying to write the right words down
I turn out the lights, close my eyes
There ain't no prayers or kiss goodnight
What i'll forget to say tomorrow, i'll say now
Janie don't you take your love to town

Janie don't you take your love to town
Janie don't you take your love to town
If i've got to beg, i'll beg, just don't walk away
Janie don't you take your love to town
Janie, não leve seu amor embora Bon Jovi 
Sentado aqui apenas vendo você dormir
Eu gostaria de me concentrar e estar
Em algum sonho colorido
Mas o ar está muito denso para que um de nós respire
Não sou tolo o bastante para pensar
Que você não conseguiria viver a vida sem mim

Eu não cheguei tão longe para jogar a toalha
Não lutei tanto tão duro para ir embora
E se não sou inteligente o suficiente para dizer "me desculpe"
É simplesmente porque as palavras me fogem

Lembro de como costumávamos ser
Eu era você e você era eu
Nós éramos mais que simplesmente os mesmos
Agora esse sapato não cabe, minha pele é muito apertada
Quando você quer um beijo, eu lhe dou uma mordida
Deixe seu coração chamar os tiras, ler meus direitos

Ontem a noite bebi o bastante pra cair
Fiz um brinde à sua beleza e à minha saúde
Olhe, nós dois sabemos quanto te decepcionei
Janie, não leve seu amor embora

Janie, não leve seu amor embora
Janie, não leve seu amor embora
Se eu tiver que implorar, irei, mas não vá embora
Janie, não leve seu amor embora

Você merece um jogador, um santo
Alguém pra acertar em cheio
Que encontre a alma entre carne e ossos.
Minha vida é um tesouro, cheio de dias ensolarados
Mas isso me faz sentir frio
Agora tudo que você quer é me levar para casa.

Te odiei, na noite em que disse que me amava
Te odiei, pois não pude amar a mim mesmo
Agora te imploro, apenas me abrace
Eu não tenho os dois pés no chão

Janie, não leve seu amor embora
Janie, não leve seu amor embora
Se eu tiver que implorar, irei, mas não vá embora
Janie, não leve seu amor embora

Sentado aqui enquanto rapidamente acorda
No banheiro, debruçado na pia
Tentando escrever as palavras certas
Eu apago as luzes, fecho os olhos
Não houve orações ou beijos de boa noite
O que vou esquecer de dizer amanhã, digo agora
Janie, não leve seu amor embora

Janie, não leve seu amor embora
Janie, não leve seu amor embora
Se eu tiver que implorar, irei, mas não vá embora
Janie, não leve seu amor embora